Paulo Peter

Fazer o que se gosta e com isso ter prazer no que se faz, jogar futebol profissional, amador e ainda futsal, tudo junto e misturado. Paulo Péter é um bom exemplo dessa rotina maluca, por 8 anos esta foi sua rotina pelos gramados e quadras do Rio Grande do Sul. Estreou no profissionalmente no Pelotas em 1990, já no primeiro jogo marcou um gol e assim foi até o final da carreira em 1998, quando ainda cedo, aos 28 anos largou o futebol e foi trabalhar como representante comercial. Eu acompanhei com muita atenção os campeonatos aqui do estado na década de 90, lembro de ouvir o plantão esportivo no final da tarde de domingo e acompanhar os gols pelo interior e não era raro ter gol do Paulo Péter. Ao todo, são 18 gols em jogos válidos por competições (Gauchão de 1993, Segundona de 1994, Segundona de 1996, Gauchão de 1997 e Gauchão de 1998), sem contar os amistosos, pois estes são mais complicados de encontrar. Por falar em encontrar, não é que nessas andanças de pesquisar o passado do futebol acabei encontrando o Paulo Peter? E ele muito gentil topou conversar e contar um pouco da sua história e compartilhar suas fotos e o seu prazer de ter jogado futebol. Com vocês, a sua história nos gramados do Rio Grande do Sul.

Paulo Péter, ao lado de Mauro Galvão. Jogo festivo do Trianon contra o então Campeão Amador Grêmio Lourenciano.

Paulo Péter, ao lado de Mauro Galvão. Jogo festivo do Trianon contra o então Campeão Amador Grêmio Lourenciano.

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Em 1996 no Farroupilha. Em pé: Murilo, Rafael, Hélio, Alessandro, Mozo e Agnaldo; Abaixados: Elton,Paulo Peter, Manga, Paulo Alexandre e Délcio.

O Farroupilha no Gauchão de 1997 – Em pé: Eduardo, Alfonso, Pablo, Sandro Magrão, Júlio César e Fábio. Abaixo: Alexandre, Paulo Péter, Edinho, Mussa e Henry.

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Plantel do Farroupilha em 1997.

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Em 1998, atuando pelo São José de Porto Alegre, último clube da sua carreira profissional

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Depois do Profissionalismo, um título no Futsal, atuando pela AABB de Pelotas, Campeão Gaúcho da Série Bronze de 1998.

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Paixão de infância pelo turfe, o então jovem Paulo Péter é o menino no centro da foto.

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Nos dias atuais depois de largar o futebol, virou proprietário de cavalos. A paixão antiga é hoje seu hobby.

Nome completo?
Paulo Henrique Peter Vanier

Data e Local de Nascimento?
11/10/1970, Pelotas (RS)

Casado?
Sim, com Ronise Nunes Peter Vanier

Filhos? Quantos?
3 Meninas, Ana Luiza (16 anos), Laura (10 anos) e Maria Clara (4 anos)

Uma pessoa importante na sua vida?
São 3, minhas filhas, razão de tudo

Comida?
Arroz Carreteiro

Bebida?
Coca Cola

Hobby?
Turfe

Cor?
Azul Celeste

Time do Coração?
Internacional de Porto Alegre

Ídolo no Futebol?
Romário

Cantor?
Renato Russo

Cantora?
Ivete Sangalo

Música?
Por enquanto (Cássia Eller)

Livro?
Seabiscuit – Alma de Herói

Um Lugar Bonito?
Leblon, Rio de Janeiro (RJ)

Um Ator?
Alexandre Nero

Uma Atriz?
Fernanda Montenegro

Sempre quis ser Jogador?
Sim

Você é oriundo do futebol amador, Colonial como se diz ai na região, como foi que você chegou ao futebol profissional?
Através do Seu Dedé, treinador das categorias de base do EC Pelotas, e também de clubes amadores, isso já no último ano de Juniores

Além deste detalhe, você ainda se dividia entre o futebol de campo e o futsal, como isso acontecia?
Minha vontade sempre foi jogar futebol, sem preocupação profissional, como os jogos do Estadual de Futsal eram sábados a noite e os de campo eram domingo á tarde, estava presente nos dois. Inclusive acontecia de jogar salão em Carazinho e de lá ir para Rio Pardo jogar campo. Também de sair de Marau no salão e ir para Ivoti no campo.

Por onde você andou, durante a sua carreira? Onde iniciou? Por quais clubes você jogou? E onde parou?
Comecei na escolinha do Esporte Clube Pelotas em 1984, na época de ídolos no profissional como Ademir Alcântara, Paulo Ricardo, Celso Guimarães e Jorge Luis (Lôco). Com 16 anos fui para o futebol colonial (Picada Ritter, Guarany e Santa Silvana) para então ir para os juniores do Pelotas em 1990, onde destaco a vitória e o meu gol mais lembrado, sobre o Internacional em Porto Alegre por 1-0, neste ano recusei o convite de profissionalização, para ser Oficial Temporário do Exército até 1995. Sendo que em 1991 fui campeão estadual amador pelo EC Arroio Grande, em 1992 joguei pelo Inter de Arroio Grande. Em 1993 voltei para o EC Pelotas para a disputa do gauchão de profissionais paralelo as funções de Tenente do Exército (treinando apenas á tarde) em 1994 fui campeão estadual amador pelo Grêmio Lourenciano. Em 1995, estava no futsal pelo XV julho na Série Ouro. Em 1996 e 1997, joguei no Farroupilha e 1998 encerrei no São José de Poa no 1º semestre e no segundo encerrei como campeão estadual de futsal série bronze pela AABB de Pelotas.

Você lembra do seu primeiro jogo no profissional? Como foi?
Foi contra o Grêmio Bagé na Boca do Lobo 1990, em um amistoso, o jogo terminou 1-0 para o Pelotas com um gol meu, falta lateral cobrada pelo Luis Carlos Gaúcho, a bola encobriu o zagueiro e eu peguei de bati-pronto.

Qual o momento inesquecível da sua carreira?
Gol e vitória contra o Internacional em Porto Alegre categoria de Juniores, algo inesquecível.

Embora curta, sua carreira, você marcava bastante gols, qual o mais bonito?
Mais bonito foi um de falta contra o Inter de SM, jogando a segunda divisão de 1997 pelo GA Farroupilha

Fez muitos amigos no Futebol? Algum em especial?
Muitos realmente, não posso citar porque são muitos os especiais, me orgulho de ter deixado grandes amizades por onde passei.

Qual o marcador que lhe deu mais trabalho durante a sua carreira?
Em 1998 pelo EC São José, enfrentamos a equipe do Juventude, campeão naquele ano, atuei no meio campo e fui marcado pelo Flávio Campos, capitão do Juventude, basicamente não toquei na bola e ele não fez nenhuma força pra isso, foi uma experiência ruim (risos)

E qual o melhor jogador, aquele que dá para chamar de craque, que jogou com você?
Alexandre Gaúcho, o Xoxó e o Perivaldo desde a escolinha sempre se mostraram diferenciados e confirmaram isso no decorrer de suas carreiras

Qual o melhor técnico que você teve?
Tive a oportunidade de trabalhar com ótimos técnicos, destaco Celso Freitas e Hélio Vieira

Você citou o Celso Freitas e o Hélio Vieira como técnicos, não chegastes a ser treinado pelo Galego?
Sim Trabalhei com ele, mas foi por pouco tempo, ele fazia o estilo paizão, psicólogo que trazia chocolate quente pro vestiário, que treinava individualmente deficiências de alguns atletas, um ícone dentro de sua época. O que vivenciei com Helio e Celso foi conhecimento tático, leitura de jogo, mudando sua atuação em uma partida com apenas uma ou duas orientações.

Na época em que você atuava, os gramados do interior eram bem complicados, mesmo assim, qual foi o melhor gramado em que você atuou?
O do Sady Schmidt, do 15 de Novembro de Campo Bom

Em 1994, você atuou pelo recém profissionalizado Esporte Clube Arroio Grande, porque esta equipe acabou desistindo do profissionalismo?
O Arroio Grande se aventurou no profissionalismo sem ser profissional, pois disputávamos com equipes que treinavam dois turnos e nós apenas nos reuníamos no dia do jogo, cada atleta treinava a sua maneira.  Mesmo assim fizemos grandes jogos, ganhamos do São José de Porto Alegre, empatamos fora com o Guarany de Bagé, ganhamos do Farroupilha, mas na verdade a estrutura e os treinamentos seguiam como amadores.

Em 1996, quando você estava no Farroupilha, vários nomes famosos do futebol gaúcho estavam por lá, como Hélio Vieira, Délcio, Paulo Ricardo e Lima, como era atuar no meio destes veteranos?
Foi muito bom, conviver com esse nomes, viver os bastidores então é inesquecível e são amigos lembrados até hoje, que contribuíram muito para meu crescimento como pessoa, até porque são pessoas do bem. Sinto muita saudade desse convívio.

Com que idade você largou o futebol? Porque resolveu parar?
Parei com 28 anos, estava com casamento marcado e a proposta de um amigo para ser vendedor da Seven Boys em Pelotas

Você largou o profissionalismo em 1998, mas seguiu jogando nos campeonatos amadores aqui do estado, em quais clubes?
Logo que encerei em julho de 1998, voltei para Pelotas para trabalhar e jogar na AABB futsal onde fomos campeões estadual série Bronze

No campo, você fazia bastante gols, no futsal a performance era parecida?
Sim, eu não tinha performance diferente nas quadras, era regular no campo e no salão, sempre estive entre os artilheiros de qualquer competição que participava.

Algum gol inesquecível no Futsal?
Sim, certa vez, fiz 4 gols em um jogo contra a Perdigão de Marau, que na época era uma das melhores do estado, o placar foi 6X6. No terceiro gol, foi uma jogada ensaiada na semana, que consistia  no goleiro Paulo Boff tocar para o fixo Ênio que jogava de primeira para o canto direito do fundo da quadra, eu dominava com o peito em direção ao meio e batia de canhota. Deu certinho.

Vendo o que acontece hoje, dentro e fora do campo, você diria que tudo está diferente da sua época?
Sim, bem diferente, principalmente a parte física

Por falar em futebol de hoje, qual o jogador que você admira hoje? E qual faz uma função semelhante com a que você fazia?
Admiro muito as atuações do Douglas Costa e do Renato Augusto.

Comparando o futebol de ontem e o de hoje, era mais fácil jogar na sua época ou hoje?
Toda época tem suas dificuldades, não vejo como comparar, gramados melhores, mas jogos mais dinâmicos.

O que o futebol te deixou de lição?
A principal que levo até hoje, é o respeito e saber que você depende sempre dos seus companheiros de trabalho, independente da função que cada um está exercendo.

Você continua acompanhando futebol? Você costuma ir aos estádios?
Não vou aos estádios, apenas pela televisão. Meu divertimento agora são as corridas de cavalos

Se tivesse a chance de voltar, de recomeçar, teria sido outra vez jogador? Teria ido mais longe com a carreira?
Sim faria de novo, pois esse convívio é maravilhoso, sempre gostei. Alguns se dão conta disso depois, mas não é meu caso, sempre aproveitei ao máximo esta experiência. Quanto a ir mais longe, acho que se tivesse me dedicado a ser profissional, quando saí da base e optei pelo Exército, certamente teria tido mais oportunidades, mas não faria opções diferentes.

Qual o conselho que você deixa para quem está começando agora com o futebol?
Dedicação aos treinamentos, é no treino que está a solução de tudo.

O que um jogador de hoje precisa ter ou ser para ser bem sucedido?
Além de qualidade e dedicação, um bom acompanhamento dos pais e de algum empresário que proporcione as oportunidades

Qual o pior defeito que um jogador pode ter?
Achar que a carreira dura pra sempre e não cuidar do instrumento de trabalho, que no caso é o condicionamento físico

Durante sua carreira de atleta, você deve ter vivido várias situações engraçadas, tens alguma em especial para nos contar?
Tive um colega jogador que era o que há de mais indisciplinado e desobediente, porém o melhor do time, sempre puxava a fila da sacanagem. Pois bem, caiu o treinador e ele na sua primeira viagem mandou parar o ônibus na saída da cidade e disse: “-Precisamos de um ambiente de muita disciplina concentração e vamos fazer uma oração para proteção de nossa viagem”, foi a transformação mais rápida que eu vi. O nome dele, nem sob tortura eu digo.

E o Turfe? É uma paixão antiga?
Sim, com 6 ou 7 anos já frequentava com meu Pai, até por volta dos 15 quando o futebol de domingo começou a tomar seu espaço. Quando parei até com o amador em 1999 comprei meu primeiro cavalo, desde lá até hoje sempre tenho algum para acompanhar. Sou o Proprietário, monto minha equipe ( Cavalo,Treinador e Jóquei ) e competimos em Pelotas, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. É uma paixão indescritível, não tem nada a ver com apostas, é a família em torno de um animal que independente das vitórias, trazem grande alegrias pelo convívio.

O que você faz da vida hoje?
Sou Representante Comercial e Gestor Comercial na região de Pelotas das empresas Trivialy (Sorvetes) de Viamão e Amalfi (Pães industrializados) de Cruzeiro do Sul

Estamos encerrando por aqui, alguma coisa que eu não perguntei e que você gostaria de ter falado?
Gostaria de dizer que nunca levei o futebol como trabalho, talvez por isso tenho tantas lembranças boas e me diverti muito enquanto estive convivendo neste meio. Além de agradecer pela oportunidade de narrar e relembrar momentos maravilhosos.

Obrigado pela atenção Amigo, um grande abraço.

Ficha do Atleta

paulo_peter_1998 Apelido: Paulo Peter
Nome: Paulo Henrique Peter Vanier
Data Nasc: 11/10/1970
Local Nasc: , Pelotas, RSBrasil
Posição: Atacante
ID CBF: 127631
1990 Pelotas (Pelotas, RS) Pelotas (RS)
1991 ecarroiogrande2 Arroio Grande (RS)
1992 Internacional (Arroio Grande, RS) Internacional – AG (RS)
1993 Pelotas (Pelotas, RS) Pelotas (RS)
1994 ecarroiogrande2 Arroio Grande (RS)
1994 Grêmio Lourenciano (São Lourenço do Sul, RS) Grêmio Lourenciano (RS)
1996-1997 Farroupilha (Pelotas, RS) Farroupilha (RS)
1998 São José (Porto Alegre, RS) São José (RS)
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