Gilson Lira

Sempre na de personagens da bola, esse é propósito do Blog, entre uma conversa e outra, eis que encontro Gilson Lira, ex-atacante, com mais de 600 gols na carreira, com passagens por diversos clubes ao longo de sua carreira, largou a bola (cedo) e foi ser diretor de uma escola, escreveu mais de 100 livros e ainda trabalhou em Rádio e TV, foi o que bastou para que eu fosse convidá-lo para conversar um pouco e deixar aqui no Blog um pouco de sua história.

Gilson Lira

Gilson Lira - Hoje

Seu nome completo:
Gilson Lustosa de Lira

Data e Local de Nascimento:
07/03/1.948 – Natal – RN

Casado:
Separado

Filhos:
Sim, 3, Bárbara, Diego e Ígor

Uma Pessoa Importante:
Meu pai, João Lyra

Comida Preferida:
Feijoada

Bebida Preferida:
Refrigerante

Um Hobby:
Escrever poesias

Uma Cor:
Vermelho

Cantor:
Roberto Carlos

Cantora:
Alcione

Uma Música:
Detalhes

Ator:
Antonio Fagundes

Atriz:
Fernanda Montenegro

Livro:
Conversando com Deus

Um Lugar Bonito:
Cachoeiras de Macacu (RJ)

Time do Coração:
Flamengo

Um Ídolo no Futebol?
Zico

Sempre quis ser Jogador?
Sempre

Quem foi sua inspiração como jogador na sua posição?
Vavá

Onde você começou a jogar na época de Juvenil e Junior?
Fluminense e Bangu

Como foi começar no futebol? Muitas dificuldades?
O meu pai queria que eu estudasse, mas consegui conciliar as duas coisas e aí ele me liberou.

Profissionalmente, você lembra do seu primeiro jogo? Onde foi? Em que ano? Qual o resultado da partida?
Foi pelo Bangu num amistoso em Petrópolis em 1967. Vencemos por 2×0.

Muita tensão na primeira partida?
Até que não porque os colegas me deram total apoio e como era amistoso ficamos mais a vontade.

Por onde você andou, durante a sua carreira? Você pode colocar os anos ao lado de cada clube?
Antes de ir para o Bangu tive uma passagem pelo futebol amador que me traz lembranças maravilhosas em Cachoeiras de Macacu (RJ) onde defendi Cachoeirense, Onze Unidos, Independente e Ipê. Joguei também no Bom Jardim no campeonato Friburguense.
Bangu (RJ) 1966 a 1968, Grêmio de Maringá (PR) 1968 (2º semestre), Náutico (PE) 1969 (3 meses), ABC (RN) 1970 a 1971, Grêmio Anapolino (GO) 1971 (2º semestre), Galícia (BA) 1972 (3 meses), Operário (MT) 1973 a 1974, Comercial (MS) 1976 a 1977, União Rondonópolis (MT) – 1975 a 1976 e 1978 a 1980.

Você não jogou no Friburgo – RJ também?
Sim depois que voltei da Bahia disputei um campeonato pelo Esperança de Friburgo e depois fui emprestado ao Friburgo para disputar a Taça de Bronze no Estado do Rio de Janeiro.

Um momento inesquecível na sua carreira?
O Bi-campeonato Estadual pelo ABC em 1970/1971.

Uma partida inesquecível?
Foi em Rondonópolis quando vencemos o Mixto por 3×2 e fiz os 3 gols na decisão do 2º turno em 1976.

Qual o seu gol mais bonito? Como foi?
Creio que foi um de bicicleta marcado no goleiro Mão-de-Onça do Dom Bosco em pleno Verdão em Cuiabá quando vencemos por 2×1.

Você fez muitos amigos no futebol? Qual a amizade que começo na época de atleta e dura até hoje?
Fiz inúmeros, mas até hoje tenho amizade com o Ruiter, Pindu, Mário Sérgio, Maurinho e outros aqui do Estado.

Ao longo de sua carreira, quem foi o seu melhor companheiro de de ataque?
Foi o Bife com quem fiz dupla de área no Operário e juntos ganhamos 8 títulos e com Alberi no ABC em Natal. Ambos eram craques e me deixaram inúmeras vezes na cara do gol. Era fácil fazer gols ao lado deles.

Qual o melhor jogador, aquele que dá para chamar de craque, que jogou com você?
Alberi, Ruiter e Bife.

Sobre o Bife, ele foi um fenômeno em sua época não é mesmo? Como você explica ele não ter tido melhores chances em um clube grande?
Ele foi contratado pelo futebol português na época. Numa temporada jogou pelo Porto e na outra voltou para o Boa Vista se não me engano, mas não chegou a se adaptar devido ao clima de lá. Era muito frio e para quem saiu de Cuiabá com esse calor imenso, imagina! Sobre jogar em clubes grandes no futebol brasileiro não era tão atrativo assim para nós. Quando fui para o Comercial de Campo Grande a diretoria cobriu todas as propostas que recebi de outros clubes: De luvas recebi um carro zero km (Maverick que era dos mais luxuosos em 1.976), e mais 50 mil cruzeiros (que era o valor de outro carro) e mais 10 mil por mês, além de 1 mil por vitória em partida que eu jogasse e mais o bicho que todo time receberia por vitórias e empates. Na época em não receberia igual em nenhum outro clube. Até no União que era um time pequeno quando aqui cheguei conseguiram juntar uma grana e me dar de luvas um fuscão 0 km para renovar um contrato no fim de 1.975 quando fui artilheiro do Estadual com 15 gols. Aí fiquei mais 6 meses.

Qual o melhor técnico que você teve?
Nivaldo Santana

Quem na carreira, foi o pior marcador que você teve?
Lá no futebol de Friburgo tinha um tal de Maduro que batia muito… no Mato Grosso apanhei bastante do Felizardo (Mixto) e do Saborosa (Dom Bosco).

Você atuou no Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o futebol é muito diferente comparando um lugar com o outro? Onde era mais complicado de se jogar?
Sim, existe diferença. No Rio de Janeiro há um futebol mais técnico, mais toque de bola, mais malandro no bom entendimento. Em São Paulo e no sul o futebol é mais competitivo e com mais força nas disputas de bola.

Qual o melhor gramado em que você jogou?
Maracanã, Serra Dourada, Verdão e Morenão (na época eram tapetes).

Quando e onde foi o seu último jogo?
Foi em Rondonópolis pela Taça de Prata contra o Vila Nova de Nova Lima (MG) e vencemos por 1-0 com um gol de cabeça aos 44’30 do segundo tempo de nossa autoria. Foi o gol de nº 684 em minha carreira.

Profissionalmente, você marcou 684? Com a mídia de hoje, certamente você seria muito mais reconhecido não é mesmo?
Sem dúvida. Para você ter uma base em 1.976 eu marquei 56 gols entre campeonato Estadual (23), Copa Cuiabá, Torneio Incentivo e Amistosos, mas isso ficava mais no âmbito de Mato Grosso. A não ser os jogos oficiais que a Revista Placar noticiava, os demais não.

Vendo o seu caso, marcando tantos gols na carreira e o Bife, artilheiro e atacante com “A” maiúsculo, dá para dizer que no geral o nosso país não tem uma boa memória esportiva?
Não é a questão de não ter uma boa memória, mas a época com muitas dificuldades de comunicação. Até hoje você não vê os gols de Mato Grosso na mídia nacional não é mesmo. Imagina naquela época.
Em 1974 o Flamengo veio completo jogar contra o Operário no Dutrinha e empatamos em 2-2, vencemos a Universidade de Craiova da Romênia (com 8 da seleção Romena) por 1-0 (gol nosso) e quem ficou sabendo?
E vai por aí a fora. O futebol de Mato Grosso para sair na mídia nacional é só quando tem briga nos estádios ou algum outro fato que seja escândalo.

Como foi parar de jogar?
Foi triste, mas eu havia assumido a direção da Escola Marechal Dutra e não podia ficar dividido entre as duas funções. Aproveitei que estava numa fase excepcional no futebol e parei por cima. Deixando 199 gols com a camisa 9 do União (sou o seu maior artilheiro) e 285 gols no Estado (maior artilheiro) contra 274 do Bife.

Era a hora de parar?
Ou dava para ter continuado? No dia do jogo contra o Vila Nova eu completei 32 anos, estava numa forma maravilhosa e poderia ter esticado até aos 40. Só que naquela época passou de 30 o pessoal já te chamava de velho, principalmente se você perdesse um gol.

Durante a carreira, nos momentos mais difíceis, você pensou em desistir?
Jamais pensei em abandonar o futebol. Às vezes a gente fica magoado com alguns torcedores e principalmente o pessoal da imprensa que sempre tem aqueles que nunca deram um pontapé numa bola e quer fazer críticas sem fundamento nenhum, mas a gente sempre consegue dar as respostas dentro do campo. E eu sempre respondia com gols.
O que o futebol lhe ensinou? Que perseverar é uma das maiores virtudes para quem quer vencer na vida e cuidar do corpo para suportar a carga de trabalho que a profissão exige.

O Futebol tanto do Mato Grosso como do Mato Grosso do Sul, encolheu da década de 80 pra cá, porque isso aconteceu? Existem perpectivas de melhora?
A cabeça de alguns dirigentes continuou no amadorismo, pouco investimento e muita irresponsabilidade. Não houve um trabalho na base para criar vínculo do atleta com o clube formador. Falta de continuidade, pois o campeonato durava três meses e depois dispensava o plantel. Não havia um calendário que preenchesse o ano inteiro, isso só veio a acontecer de pouco tempo para cá.

Se você tivesse que apostar em um clube dos dois estados, quem você acha que pode em um futuro mais próximo chegar a elite do nosso futebol?
Aqui no Mato Grosso pela estrutura que tem seria o União de Rondonópolis e em Cuiabá o Mixto. O Luverdense e o Cuiabá também estão se estruturando de modo a evoluir. No Estado vizinho não aposto em ninguém porque caiu muito.

Como você acha que vai ser a recepção e acolhida do pessoal do Centro-Oeste a Copa do Mundo?
Será ótima, pois o povo Mato-grossense é muito acolhedor e esta será uma oportunidade única para mostrar toda a nossa cultura ao mundo. Ao lado de tudo isso temos muito a mostrar em termos de ecoturismo. Será a Copa do Pantanal.

Se tivesse a chance de voltar e recomeçar, teria sido outra vez jogador?
Sim, quantas vezes eu pudesse voltar.

E depois da bola, o que você faz hoje?
Dediquei-me de corpo e alma à Educação. Só no Marechal Dutra trabalhei 27 anos, sendo 16 em sala de aula e 11 como diretor. Aposentei em 2003. Também trabalhei em 3 emissoras como comentarista e depois narrador e era cognominado “O microfone Artilheiro”. Depois apresentei um programa de esporte na TV Gazeta e posteriormente na Record News. Atualmente tenho um site com livros que escrevo. Já cheguei a um total de 102 livros escritos, sendo que 21 já foram lançados nas escolas da região sul de Mato Grosso com excelente aceitação entre os estudantes, principalmente os livros de poesias românticas.

Qual o conselho que você deixa para quem está começando agora com o futebol?
Dedicar-se ao máximo à profissão porque hoje é uma mina de dinheiro, mas manter a humildade acima de tudo.

O que um jogador tem que ter hoje para fazer sucesso?
Seriedade com a profissão e dedicação total com responsabilidade.

E o que não pode ter de maneira alguma, para não estragar a carreira?
Cair nas noites e se entregar às festas e bebedeiras.

Na sua opinião, o futebol de hoje é melhor ou pior do que na sua época? Porque?
Na minha época existiam mais craques em termos de qualidade e quantidade. Hoje estão privilegiando mais o condicionamento físico, pois o jogo ficou mais rápido e de mais pegada. Os campos são melhores e são dadas mais condições profissionais aos craques.

Quando era mais fácil de se jogar, hoje ou na sua época? Porque?
É muito relativo, mas a gente apanhava muito porque não havia exame anti-doping e não existia cartão para punir então os zagueiros batiam muito e dificilmente os juízes expulsavam. Hoje a lei do jogo ficou melhor. O carrinho é punido com amarelo e às vezes até vermelho. Se o atacante está rumo ao gol e é derrubado por trás o zagueiro sabe que vai ser expulso e pensa duas vezes antes de matar um lance.

Quem é o melhor jogador em atividade no momento? No Brasil e No Mundo? No Brasil ainda é o Ronaldinho em um jogo ou outro ele brilha o suficiente para nos encantar, mas precisa manter a sequência. No mundo, sem dúvida que é o Messi (mas o do Barcelona, não o da seleção Argentina).

Dos tempos de jogador, tens alguma história engraçada para contar? Tenho inúmeras, mas o espaço aqui não caberia.

Você escreve poesias, tens alguma para escrever aqui e registrar sua passagem pelo Blog Súmulas-Tchê?
Deixo três pensamentos de minha autoria sobre a “palavra” pois são mais rápidos e ao mesmo tempo mais profundos:
A palavra é como ponta de espada, fere muito quando é mal usada.
Quando a língua é perversa, envenena qualquer conversa.
A palavra morre à míngua, para quem não freia a língua.

Você foi um atleta e depois foi atuar nas salas de aula, o futebol e a educação não deveriam andar mais próximos?
O futebol precisa muito mais da Educação do que esta dele. Infelizmente temos ainda muitos atletas que praticamente só sabem assinar a súmula do jogo e se acomodam pensando que a carreira lhe dará tudo e que o estudo não será necessário. O ideal é fazer as duas coisas: jogar e estudar. Foi o que eu fiz. Quando encerrei a carreira já tinha três faculdades e duas pós graduações. Hoje estou aposentado como professor e sou muito feliz.

A conversa ta chegando ao fim, deixo este espaço para que Você possa falar de algo que talvez eu tenha esquecido de perguntar, gostaria de falar algo?
Quero apenas agradecer a oportunidade, pois cada vez que temos que falar da nossa carreira a gente acaba relembrando passagens que nos deixam felizes. E repetindo o que disse o poeta: “As boas recordações são os únicos astros que adornam a noite da velhice”. Fique na paz de Deus.

De minha parte, eu agradeço muito a sua gentileza e atenção em me atender, sucesso e fica com Deus
– Aproveito a oportunidade e deixo a disposição de quem gostar de ler para visitar o meu site http://www.gilsonlirapoesias.com.br e escolher qualquer livro que terei o maior prazer em enviar inteiramente grátis via e-mail. Só preciso do endereço eletrônico para enviá-lo. O nosso e-mail para os amantes da leitura é Gilson_lira199@hotmail.com

Ficha do Atleta

Gilson_Lira_Perfil Apelido: Gílson Lira
Nome: Gílson Lustosa de Lira
Data Nasc: 07/03/1948
Local Nasc: , Natal, RNBrasil
Posição: Atacante
ID CBF: 44369
1966-1968 Bangu (RJ) Bangu (RJ)
1968 Grêmio Maringá (Maringá, PR) Grêmio Maringá (PR)
1969 Náutico (Recife, PE) Náutico (PE)
1970-1971 ABC (Natal, RN) ABC (RN)
1971 Grêmio (Anápolis, GO) Grêmio (GO)
1971 Galícia (Salvador, BA) Galícia (BA)
1973 Friburgo (Nova Friburgo, RJ) Friburgo (RJ)
1973-1974 Operário (Várzea Grande, MT) Operário – VG (MT)
1975-1976 União Rondonópolis MT União Rondonópolis (MT)
1976-1978 Comercial (Campo Grande, MS) Comercial (MS)
1979-1980 União Rondonópolis MT União Rondonópolis (MT)
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Uma resposta

  1. OLÁ, MEU QUERIDO IRMÃO, SÓ HOJE TIVE ACESSO A ESTA SUA MARAVILHOSA ENTREVISTA, ESTOU MUITÍSSIMO FELIZ POR SABER MAIS COISAS A SEU RESPEITO, ESTAMOS JÁ EM FESTA POR OCASIÃO DE SUA CHEGADA, PARA NOS DAR ESSE PRAZER DE SUA AGRADÁVEL PRESENÇA NA MINHA HUMILDE CASA E NOSSA QUERIDA CACHOEIRAS DE MACACU, ESTAMOS ANSIOSOS POR SUA CHEGADA PARA MATAR A SAUDADE E BATERMOS AQUELA PELADA, NÃO SEI SE TU “GUENTA”(RISOS), MAS É QUE EU CONSEGUI CHEGAR AOS 56 AINDA BATENDO DIREITINHO NA BOLA.
    UM GRANDE ABRAÇO DO SEU MANO, DO SOBRINHO LINCOLN(QUE TÁ AQUI COMIGO NESTE MOMENTO) ENFIM… CHEGUE LOGO.

    HELINHO LYRA (WELLINGTON)

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