Marcelinho

Marcelinho

Marcelinho em diversos momentos da carreira

Marcelinho, ex-atacante que na década de 80, foi considerado pela Revista Placar como umas das maiores revelações do futebol Brasileiro, fez parte da equipe do Bangu, na época em que o time de Moça Bonita fazia frente ao tradicionais times do Rio de Janeiro e do Brasil. Hoje, morando no Espírito Santo, ele nos conta um pouco de sua carreira, dos amigos e dos diversos clubes que defendeu. Com vocês, um pouco da vida deste Eterno Jogador, como ele mesmo se define.

Marcelinho

Marcelinho, em ação contra o Flamengo

Nome completo?
Marcelo Trindade dos Santos

Data e Local de Nascimento?
25/01/1959, no Rio de Janeiro – RJ

Casado?
Sim

Filhos? Quantos?
Sim, 3 filhos

Uma pessoa importante na sua vida?
Minha família porque sem ela eu não seria nada.

Comida?
Churrasco

Bebida?
Suco de Laranja ou Maracujá.

Hobby?
Jogar futebol de veteranos.

Cor?
Azul

Time do Coração?
Gosto do Bangu e Botafogo.

Ídolo no Futebol?
Gosto muito do Zico.

Cantor?
Sinatra.

Cantora?
Alcione.

Música?
Smile

Livro?
Dom Quixote.

Um Lugar Bonito?
As praias de Guarapari – ES

Ator?
Lima Duarte e Al Patino

Atriz?
Fernanda Montenegro

Sempre quis ser Jogador?
Sim

Como foi iniciar no futebol?
Foi tranqüilo, pois meu Pai que sempre foi um apaixonado por futebol me incentivou muito.

Você foi apontado no início da década de 80, como um grande revelação, o que faltou para você chegar a um time de maior expressão?
Tive oportunidade para ir para o Palmeiras e Fluminense mas o Dr. Castor de Andrade que era quem mandava no clube não deixou. Ele também não deixava entrar empresário para conversar e acabei perdendo as oportunidades apesar que na época o Bangu era um time ótimo para se jogar.

Por onde você andou, durante a sua carreira? Onde iniciou? Por quais clubes você jogou? E onde parou?
Comecei no Cruzeiro no juvenil mas como tive poucas chances de jogar recebi um convite de um dirigente do Bangu e aceitei e logo cheguei ao time profissional e depois de alguns anos fui para o Internacional de Limeira emprestado e depois joguei no Madureira – RJ, Serrano – RJ, Cabofriense – RJ, Rio Branco – AC, Nacional – AM, Fast Club – AM, Libermorro, Uberaba – MG,Desportiva – ES, Guarapari – ES, Muniz Freire – ES, Alegrense – ES, Ibiraçu – ES e Barreirense de Portugal.

Ano a Ano, onde você jogou?
Joguei no Bangu de 79 a 86, com alguns empréstimos a outros clubes neste período, Inter de Limeira em 1982, Madureira (Primeiro Semestre de 1983), Serrano de Petrópolis (Março de 1985), Cabofriense (de Outubro a Dezembro de 1985), Rio Branco – ES (No final de 1986).
Saindo do Bangu em definitivo, joguei no Nacional – AM e no Uberaba – MG em 1987, Barreirense (Portugal) em 1988, Ibiraçu – ES (1989 e 1993) Desportiva – ES (1989 até 1991), Guarapari – ES (1991 e 1995 a 1996), Muniz Freire – ES (1992 e 1993), Alegrense – ES (1992), Fast Club – AM (1994) e o Libermorro – AM (1997)

Você lembra do seu primeiro jogo? Como foi?
Comecei a jogar no time profissional em amistosos em 79, na época, eu ainda era juvenil, como profissional foi no Brasileiro da 2ª Divisão em 80 contra o Ferroviária-SP e apesar de ser o mais novo da equipe estreei com tranqüilidade.

Qual o momento inesquecível da sua carreira?
Quando pisei pela primeira vez no Maracanã.

Qual o seu jogo inesquecível?
Bangu 5-1 Ponte Preta, em 25/01/1981

Qual o gol mais bonito que você marcou?
Foi contra o Americano em 81, driblei toda defesa e o goleiro e entrei com bola e tudo.

Você jogou a primeira Copa do Brasil, em 1989 pelo Ibiraçu do Espírito Santo, como foi pegar o Grêmio, que acabou sendo campeão, logo de cara?
Tínhamos um time até razoável mais inexperiente e pegamos logo de cara o Grêmio, aqui no Espírito Santo foi 1-0 e lá em Porto Alegre levamos de 6 devido a tremedeira de alguns jogadores que nunca tinham saído do estado.

Como foi a sua passagem pelos gramados Portugueses? Era muito diferente jogar lá e jogar aqui?
Quando eu fui para Portugal, o europeu ainda tinha um pouco de desconfiança do jogador Brasileiro pois achavam que o futebol era mais de choque e de lançamentos pra dentro da área e o jogador brasileiro preferia o drible o toque de bola e os próprios jogadores portugueses também tinham “ciumes” de brasileiros e isso dificultava um pouco nossos relacionamentos mais hoje em dia tudo mudou com a globalização.

Fez muitos amigos no Futebol? Algum em especial?
Sim, Mococa e Marinho do Bangu tínhamos muita amizade, morávamos um do lado do outro.

O Marinho, ele era de fato um craque, mas teve alguns problemas durante a carreira, mesmo assim, por tudo o que ele jogou, você não acha que o futebol e a história em si, não são um pouco injustos com ele? Digo, ele jogou muito em sua época e hoje é praticamente um desconhecido para a maioria, dava para ele ter ido mais longe?
Ele era um jogador inteligente, veloz que se não fosse os problemas que ele teve na vida como a morte prematura do filho afogado na piscina e problemas com bebidas, hoje ele estaria melhor de vida, mas os torcedores reconhecem que ele foi um dos melhores jogadores que o Bangu já teve e é um cara maravilhoso como pessoa e esta conseguindo dar a volta por cima!
Como parceiro de ataque Marinho foi nota 10 não tinha outro igual.

Qual o marcador que lhe deu mais trabalho durante a sua carreira?
O Leandro do Flamengo.

E qual o melhor jogador, aquele que dá para chamar de craque, que jogou com você?
Vou citar quatro, Pedro Rocha já no final de carreira, Marco Antônio, Marinho Chagas e Marinho (ponta direita).

E em se tratando do time adversário, algum jogador que você tenha enfrentado, que era verdadeiramente um craque?
Sem dúvida nenhuma o Zico!

Qual o melhor técnico que você teve?
Tive bons técnicos, mas o melhor foi o Tim logo no começo da minha carreira, tenho boas lembranças dele pois foi o único que vi enfrentar o Castor de Andrade e foi na hora de um jogo do campeonato carioca, o Tim estava mostrando num pequeno quadro negro como teríamos que jogar e de repente chegou Castor e disse “…Eu acho que esse jogador tem que jogar na lateral e o outro na ponta direita.”, ai o Tim falou, “… Castor pode parar, você entende é de dar dinheiro pra rapaziada, de futebol quem entende sou eu.”.
O Dr. Castor ficou quietinho chamou seu segurança e foi pra arquibancada torcer para mais uma vitoria do Bangu.

Em matéria de gramado, era o melhor na sua época?
O Mineirão era muito bom, mas o gramado do Maracanã era especial porque tinha uma espécie de magia.

Como foi largar o futebol? Tava na hora de parar? Ou dava para ter continuado?
Comecei nos profissionais jogando com ótimos jogadores, mas já consagrados e no final de carreira como o goleiro Tobias (Corinthians), Moisés (Vasco), Marco Antonio (Sel.de 70), Carlos Roberto (Botafogo), Ademir Vicente (Botafogo), Toninho Baiano (Fla e Seleção) e eu era um garoto no meio dessas feras e depois dos jogos comecei acompanhar alguns desses jogadores nas noites cariocas e com o tempo comecei a ter contusões e a treinar pouco e tive um problema sério no joelho e juntando tudo acho que foi o que abreviou um pouco o fim da minha carreira.

Essas “Noitadas”, eram um tanto comum nessa época, hoje com esse lado da preparação física mais acentuado, você acha que um jogador ainda pode manter este estilo de vida de décadas passadas?
Com o preparo físico que hoje em dia o futebol pede é impossível um jogador que quer ser titular e jogar bem, sair nas noitadas, os times grande monitoram tudo. Na minha época tinha uma tal de “segunda sem lei” em que os jogadores dos times do Rio se reuniam e todos bebiam tanto que um dia valia por uma semana hoje em dia isso seria impossível. Mas o grande problema agora é as drogas que alguns jogadores despreparados psicologicamente são levados por aproveitadores que se dizem “amigos” pra essa armadilha.

Quando você parou de jogar, fez seu último jogo, você já sabia que seria seu último jogo ou não?
Já tinha noção que era hora de parar, o corpo principalmente o joelho não aguentava jogos competitivos, mais não determinei o dia que tinha que parar simplesmente fui parando, foi a época mais triste da minha vida pois desde criancinha joguei futebol e sempre respirei futebol e até hoje nos times de veteranos eu jogo não como hobby e sim como uma necessidade de viver o futebol. Não me considero um ex-jogador porque pra mim é “JOGADOR SEMPRE JOGADOR”!

O que o futebol te deixou de lição?
Aprendi muito com o futebol e tem uma frase da música de Roberto Carlos que engloba tudo que é “…Se chorei ou se sorri, importante é que emoções eu vivi…”

Sobre o Bangu de ontem e de hoje, por que o Bangu da década de 80 não conseguiu títulos de expressão, mesmo montando grandes equipes? E por que o Bangu de hoje não consegue voltar a ser por exemplo a 5ª força do estado do Rio de Janeiro?
Nos anos 80 o Bangu teve times maravilhosos mais só foi vice (Carioca e Brasileiro) e eu acredito que isso são coisas do futebol que não da para explicar. O Dr. Castor enquanto vivo foi muito bom para o Bangu, mas com sua morte o clube viu que não se preparou para isso pois tudo dependia do Dr. Castor e com isso se esqueceu de se estruturar e um grande clube não pode depender de uma só pessoa. Sou apaixonado pelo Bangu, pelo seus torcedores e estou torcendo para que o Bangu com a reforma do estádio seja o começo de uma nova perspectiva e volte a ser um grande time, um time que tem uma historia linda e teve muitos craques que vestiram o seu manto vermelho e branco com muito amor e respeito.

Você continua acompanhando futebol? Você costuma ir aos estádios?
Sim e sempre que posso vou aos estádios.

Vendo o que acontece hoje, dentro e fora do campo, você diria que tudo está diferente da sua época?
Tudo, acredito que não, melhorou no aspecto físico, porém os craques estão se tornando raros. E fora do campo o jogador esta sendo muito mais vigiado.

Muitos falam que se perdeu um pouco do Futebol Romântico e Bonito, você concorda?
Concordo, futebol hoje em dia se leva muito em conta o aspecto físico e tático, mas sem criatividade.

Por falar em futebol de hoje, qual o jogador que você admira hoje? E qual faz uma função semelhante com a que você fazia?
Difícil não ser o Messi. Eu joguei muito tempo como ponta esquerda e depois fazia a mesma função que hoje faz o Robben do Bayer, o próprio que é jogando no ataque mas voltando para criar jogadas.

Comparando o futebol de ontem e o de hoje, era mais fácil jogar na sua época ou hoje?
Hoje futebol é mais de “pegada”, na minha época existia mais espaço, por isso relativamente mais fácil e o futebol era mais bonito.

E Como está o futebol do Espírito Santo hoje? Alguma perspectiva de um clube capixaba voltar a elite do nosso futebol?
O futebol Capixaba precisa de responsabilidade e profissionalismo, não é possível um estado estrategicamente bem situado não ter um time nas divisões principais, não ter estádios para se jogar um bom futebol e com isso nenhum bom jogador quer jogar aqui e os novos valores daqui acabam saindo para outros lugares é preciso de ideias novas e pessoas comprometidas com o futebol, mas eu sou otimista e estou vendo boa vontade dos dirigentes e do Governo do Estado para que o futebol capixaba volte ao cenário brasileiro!

Durante a sua carreira, você pensou em desistir? Porque?
Nunca pensei em desistir, porque desde que nasci sempre respirei futebol e mesmo nos momentos difíceis o prazer de jogar futebol sempre me motivou.

Se tivesse a chance de voltar, de recomeçar, teria sido outra vez jogador?
Sim e com o profissionalismo de hoje eu tenho certeza que estaria jogando fora do pais.

Qual o conselho que você deixa para quem está começando agora com o futebol?
Nunca deixe de estudar, tenha confiança e dedicação de atleta, treino muito treino e nunca desista dos seus sonhos!

O que um jogador de hoje precisa ter ou ser para ser bem sucedido?
Primeiro é ter o dom de futebol, se dedicar e treinar muito e cuidar do corpo e estudar pra cuidar de sua carreira.

Qual o pior defeito que um jogador pode ter?
Achar que joga muito e que não precisa treinar e não ter humildade, defeito esse que pode acabar com a sua carreira, antes mesmo de começar.

Durante sua carreira de atleta, você deve ter vivido várias situações engraçadas, tens alguma em especial para nos contar?
Tenho várias historias, vou contar uma delas:
Em 80 Eu estava sempre chegando atrasado para o treino e o Dr. Castor ficou sabendo e mandou um segurança dele cujo apelido era “Miudinho” que tinha uns dois metros de altura, me levar até o escritório dele pra conversar sobre meus atrasos.
Chegando lá eu pensei to ferrado, ele olhou pra mim e disse: Garoto você tem carro? eu respondi que não.
E ele continuou, ouvi dizer que você ta chegando atrasado nos treinos né? Pois você vai sair agora, passar na minha loja e pegar um fusca novinho e não chegue mais atrasado.
Depois de um certo tempo o time do Bangu começou a perder algumas partidas ele colocou a culpa em mim e tomou o carro e ai o time começou a ganhar e ele foi e me deu um Fiat novinho e não me tomou mais!

O que você faz da vida hoje?
Sou pós graduado em Educação Física e dou aula na prefeitura e no estado e pretendo abrir uma academia de futebol para formar jogadores para times profissionais.

Não quis seguir uma carreira dentro do futebol?
Eu fui técnico em Manaus no Libermorro, mas tive que vir aqui para o Espírito Santo e preferi ser Professor.
Quando eu abrir a academia pretendo voltar ao futebol, que sou apaixonado.

Obrigado pela atenção Amigo, um grande abraço.

Ficha do Atleta

marcelinho_perfil Apelido: Marcelinho
Nome: Marcelo Trindade dos Santos
Data Nasc: 25/01/1959
Local Nasc: , Rio de Janeiro, RJBrasil
Posição: Atacante
ID CBF: 65713
1979 a 1982 Bangu (Rio de Janeiro, RJ) Bangu (RJ)
1982 Internacional (Limeira, SP) Internacional de Limeira (SP)
1983 Madureira (Rio de Janeiro, RJ) Madureira(RJ)
1983-1985 Bangu (Rio de Janeiro, RJ) Bangu (RJ)
1985 Serrano (Petrópolis, RJ) Serrano (RJ)
1985 Bangu (Rio de Janeiro, RJ) Bangu (RJ)
1985 Cabofriense (Cabo Frio, RJ) Cabofriense (RJ)
1986 Bangu (Rio de Janeiro, RJ) Bangu (RJ)
1986 Rio Branco (Cariacica, ES) Rio Branco (ES)
1987 Nacional (Manaus, AM) Nacional (AM)
1987 Uberaba (Uberaba, MG) Uberaba (MG)
1988 Barreirense (POR) Barreirense – POR
1989 Ibiraçu (Ibiraçu, ES) Ibiraçu (ES)
1989-1991 Desportiva (Caraiacica, ES) Desportiva (ES)
1991 Guarapari (Guarapari, ES) Guarapari (ES)
1992 Alegrense (Alegre, ES) Alegrense (ES)
1992-1993 Muniz Freire (Muniz Freire, ES) Muniz Freire (ES)
1993 Ibiraçu (Ibiraçu, ES) Ibiraçu (ES)
1994 Fast Club (Manaus, AM) Fast Clube (AM)
1995-1996 Guarapari (Guarapari, ES) Guarapari (ES)
1997 Libermorro (Manaus, AM) Libermorro (AM)
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